26.5.09

A FANTÁSTICA FÁBRICA
Capítulo 25 - Bailão dos jovens
Seguinte, Cardoso, como já havia comentado contigo, tô na reta final do livro e recorrendo à memória dos amigos, porque a minha já era. No feriado quero me dedicar ao capítulo 25 BAILÃO DOS JOVENS, então gostaria, que, se possível, tu me respondesse (brevemente, sem frescuras) as perguntinhas a seguir. Desde já, agradeço.

Beleza, beleza. Tá na mão:

1) Breve história do COL.

A primeira edição saiu em outubro 1998, durante a greve das universidades federais. Era uma época estranha, porque quase ninguém trocava telefone, mas todo mundo trocava e-mail nas primeiras semanas de aula da Fabico. Comecei a parada ainda sem nome, meio que só pra manter contato com uns 10 ou 15 amigos que tinha feito no começo do mês. Um deles, o Felipe Becker (sim, ele mesmo, MARIDO da Ana) foi quem sugeriu que eu devia adotar o nome CardosOnline. Na primeira semana, o COL saía todos os dias e era escrito só por mim. Aos poucos, comecei a incluir os e-mails que os amigos mandavam em resposta, e alguns começaram a escrever coisas parecidas com o que eu escrevia. A coisa foi mudando de figura, e lá pela segunda semana o Galera me ligou e propôs que fizéssemos um fanzine por e-mail. Convidei o Träsel, ele convidou o Pilla, e a rede de contatos começou a se expandir. Um dia, bebaço, o Pilla conheceu o Mojo no Garagem e encheu muito o saco dele por causa do COL. O Mojo conta que ficou tão puto com aquele piá bebum enchendo o saco que foi no site e assinou pra ver qual é: aí GAMOU. Leu uma edição, baixou as outras, me escreveu um e-mail e pediu pra colaborar. Algum tempo depois, quem começou a colaborar foi o Hermano, não lembro exatamente por que nem como. Sei que passaram a ser os colaboradores mais assíduos (agora o COL era publicado toda terça e quinta) e também os melhores. Galera e eu decidimos convidá-los a fazer parte do staff. Muitos meses depois, decidimos que tínhamos que ter uma menina no time. Convidamos várias, nenhuma quis. Então a Clarah voltou de uma temporada em São Paulo e o Mojo (que a conhecia de outros carnavais) meio que a INTIMOU a virar COLunista. Pra fechar em um número PAR (somos meio obsessivos meio místicos) acabamos convidando o Caon, que além de ser COLaborador dos mais ativos, publicando texto em toda edição, ainda por cima sempre dava alta mão nas organizações dos bailões. Na verdade, se não fosse por ele, muitos bailões talvez nem tivessem rolado.

2) Como surgiu a idéia da festa, e por que no Garagem? Quantos bailões foram ao todo? Fala um pouco sobre eles.

Aqui vai o texto original, escrito pelo Galera e publicado no site do COL na época:

"Um dos conceitos mais pregados pelo COL sempre foi a chinelagem. Logo, era inevitável que surgisse a idéia de realizar uma festa muito chinela para reunir os assinantes do fanzine. Pensamos no assunto pela primeira vez no final de 1998, quando o staff do COL ainda era formado por 5 colunistas e os assinantes – cerca de 100 – eram, na sua maioria, moradores de Porto Alegre. Idealizamos então o primeiro Bailão do Velho CardosOnline (homenagem e brincadeira com o verdadeiro Bailão do Velho Cardoso, situado na Av. Bento Gonçalves). O local eleito para a confraternização não podia ser outro: o Garagem, clássico reduto do underground porto-alegrense, habitualmente frequentado pelos colunistas do COL.

O I Bailão do CardosOnline aconteceu no dia 25 de janeiro de 1999, uma segunda-feira chuvosa em plenas férias de verão. Mesmo assim, aproximadamente 150 pessoas, boa parte delas assinantes do fanzine, compareceram ao Garagem para conhecer o Cardoso e os colunistas, tomar um tragão, fazer muita merda e bodear no sofá. A festa contou com discotecagem dos COLunistas, cerveja a R$1,99 e uma antológica jam session no chão do Garagem.

A partir daí, o Bailão teve várias outras edições, todas elas um grande sucesso, lotando o Garagem e trazendo atrações como apresentação de bandas alternativas de Porto Alegre, saraus literários, sorteio de brindes, e discotecagem dos colunistas e do Dj Drégus, combinando-se numa mistura poderosa de rock alternativo, techno, eletrônica, britpop, hip-hop, funk e algumas coisas mais esquisitas. O Bailão se tornou uma forma de divulgação do fanzine e aproximação entre seus leitores, além de evento confirmado na cidade.

A partir do II Bailão do CardosOnline, o staff do COL passou a preparar e distribuir gratuitamente os COPs (CardosoOnPaper), versões impressas do fanzine, para fins de divulgação. Além da estréia do COP, a festa contou ainda com uma chamada na MTV, o "Putaria ao vivo" (Mojo e outros representantes da Bitch Djeneration lendo textos com acompanhamentos nonsense-minimalistas, coisa pra macho), e shows das bandas Tábula Rasa e Hamsterdan. O terceiro Bailão foi marcado para 12 de junho, e foi o primeiro Bailão temático: Bailão dos Namorados. Público de mais de 200 malucos, distribuição de camisinhas, sorteio de pernoites em motéis, COP#2 e estréia do fornication lounge: a salinha dos fundos do Garagem foi forrada com colchões e almofadas, e a música ambiente consistiu em múltiplas execuções de “Sexual Healing” e outros clássicos mela-cueca. O IV Bailão do CardosOnline aconteceu sem nenhuma atração especial. O quinto Bailão foi novamente temático. O Bailão Primaveril do CardosOnline trouxe como atração principal a guitarreira nerd da banda Winston. Além disso, o staff do COL conseguiu trazer direto de Esteio, para seu show de estréia, o revolucionário Toni da Gatorra, o profeta da modernidade sonora, numa apresentação antológica que incluiu dupla execução de seu sucesso "Paz". Na salinha dos fundos, os colunistas Galera e Mojo atacaram de Cj (cassete-jockeys) na De:existência – arrasta-pé para angustiados e afins, tocando apenas o melhor da música depressiva, dos b-sides do Radiohead a trip-hops obscuros garimpados pelo Mojo em mp3. O sexto Bailão, devido ao total desleixo dos colunistas na organização do evento, foi batizado de O Pior Bailão do CardosOnline. Contudo, a festa teve uma lotação de mais de 300 pessoas, e foi um dos mais animados e eficientes Bailões do COL. Distribuição do COP#5, discotecagem do Drégus indo de Pavement a Reginaldo Rossi, e na salinha dos fundos a Re:De:xistência – reedição do templo da música depressiva.

O sétimo Bailão, o primeiro do ano 2000, ocorreu dia 7 de Abril, com o título de Fornão Dançante do Cardosonline, devido à previsão de calor insuportável que se estabeleceria no interior do Garagem. De fato, a festa foi quente, úmida e apertada, com shows impecáveis de duas das melhores bandas gaúchas: Tom Bloch e Irmãos Rocha!. O oitavo Bailão: o Bailão dos Solteiros Cardosonline, uma ode à confraternização carnal sem compromisso, às groupies e aos solteiros desse mundo. E outra vez nos vemos todos assistindo aos shows da Superphones e da Video Hits e pensando como é afudê ou que merda que é aquela música ou até aquela banda, tomando aquela décima segunda ceva antes de sair cambaleando Barros Cassal afora até um táxi, carro ou casa.

E no dia 19 de Agosto do ano 2000, o velho Garagem Hermética as we know it encerrou suas atividades, fechando para reforma e trocando de dono. Para terminar uma era de chinelagem em grande estilo, a última festa do Velho Garagem não podia ser outra: um Bailão do COL. O Bailão do Apocalipse Cardosonline trouxe shows das bandas Space Rave e Minimaus (a banda dos ex-donos do bar) e, na pista, o drum n'bass do Organizers – projeto de música eletrônica do Cardoso. Mas o destaque da noite foi a fila que se formou na entrada do Garagem, que chegou a dobrar a esquina, transformando um dos mais célebres redutos underground de POA num lugar pop, pelo menos por uma noite. Não sabemos o número exato do público presente, mas certamente não foi menos do que o dobro do número oficial comunicado ao staff. A cerveja esgotou lá pelas quatro da madrugada, não apenas no Garagem, mas também no Bambu's, o famigerado bareco da esquina onde a galera costuma se turbinar antes de entrar na festa."

Ainda teve mais uns 3 ou 4 depois disso no CTG HERMÉTICO, mas aí acho que nem conta...

3) Qual a impressão dos jovens acerca dos donos da bagaça?

Cara, eu não lembro direito porque nessa época fumava MUITA maconha e bebia MUITO, mas lembro que volta e meia alguém vinha com um papo de que achava que a gente era ROUBADO. Eu sempre tava pouco me fudendo porque os bailões davam grana e eu tava acostumado a entrar SEMPRE de graça, não importando que noite fosse. Então acreditava na lei da compensação. Mas em geral não havia maiores tretas. Lembro que BEM no começo, nas duas ou três primeiras edições, rolava uma sensação de "nós não somos bem vindos aqui", mas aos poucos isso foi se apagando. Às vezes alguém se exaltava e falava alguma merda nessa linha do "esses caras tão nos roubando" ou "esses caras não gostam de nós, só nos mantém lá por causa da grana que a gente dá", mas eu nunca dei muita bola de qualquer jeito. Eu gostava pra caralho do Garagem, e sabia que mesmo que isso tudo fosse verdade, ao longo do tempo certamente reverteria o quadro com paciência e camaradagem.

Ah, e agora lembrei que tinha um papo que meio que confirmava que a gente era odiado porque NUNCA ganhou o GARAGITO.

4) Caso(s) folclórico(s).

Puta merda, aí é foda. Muita coisa. Mas pra dar um temperinho, teve a primeira noite, uma segunda-feira chuvosa que acabou com uma jam session bizarríssima com umas 30 pessoas cantando THE DOORS no chão. O Carlinhos Carneiro diz que a música "Spaceball", da Bidê ou Balde, foi inspirada nessa noite. Ele era um dos que cantava. Outra coisa muito folclórica que rolava é que TODO Bailão a gente chegava e ficava comentando "putamerda, hoje não vai vir ninguém". Meia noite e ninguém. Uma hora e ninguém. Aí todo mundo começava a beber e se chapar e quando via PUF: o lugar tava atrolhado. Isso foi muito verdade no segundo bailão, quando o troço realmente BOMBOU. Mais um caso: no Pior Bailão do COL, eram mais de duas da manhã e ninguém tinha aparecido, mas de repente, do nada, deu um BOOM de pessoas e o troço ficou RUIM de tão lotado. Então, eis que FALTOU luz, 30% do público vazou e quando a luz voltou tava todo mundo MUITO bebaço, o Drégus começou a tocar aquelas coisas BREGA e outros 50% do público fugiram. Grande festa. Também teve o lance da caixa de som que caiu na cabeça duma mina, do primeiro show do Tony da Gatorra em Porto Alegre, do sarau de literatura (putaria) com distribuição de livros da L&PM, as pauleiras da Clarah com o Zanella, e uma porrada de coisa que rolou naqueles banheiros que eu, sinceramente, gostaria de lembrar.

Acho que é isso. Qualquer coisa, prende um grito.

Abraço,

André Czarnobai.

4 Comments:

Anonymous Anônimo said...

olha a bizarrice: naquele show dos irmãos rocha! (que a tom bloch FECHOU, hehehe) eu e o pedro estávamos, de terno e gravata, na festa/jantar de 15 anos da dcs no... country. a meia noite, bem turbinaditos, saimos do primeiro mundo e fomos pro garagem, sem jantar porra nenhuma (se é que vcs me entendem). foi a única vez que toquei de branco e de gravata, o que me valeu várias perguntas cretinas do tipo: "tu toca na bidê ou balde?". até vermos um filminho do show a gente achava que tinha sido um dos nossos MELHORES shows EVER.
uns meses atrás vimos o filminho...
foi uma MERDA de show do caralho!
grandes áfricas, sempre me diverti no garagem.

publica logo esse livro! fala com os caras da LIVROS DO MAL, eles publicam qualquer merda, hahahahaha!

abs,
raul.

12:28 AM  
Blogger canhoto said...

memórias escrachadas da noite orquestradas como se nem existisse amnésia.

11:48 PM  
Anonymous Träsel said...

Não acredito que ninguém comentou a performance do ananás após o show da Wonkavision. Aliás, isso foi em qual bailão?

No mais, não lembrava que tinham sido tantos.

1:15 AM  
Blogger Cardoso said...

Só vi isso agora. Genial que tu publicou no dia do aniversário de 30 anos da Clarah (e, conseqüentemente, na VÉSPERA do MEU trintênio).

:D

2:58 AM  

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