23.2.07

Tem que passar pelo Chuí
(Crônica de Viagem #4)


Talk Radio de 23/02

Não que o nível tenha caído. Apenas a distância diminuiu. As primeiras crônicas falavam da Oropa, aquele Velho-Continente-Do-Outro-Lado-Do-Oceano, berço da civilização. Dessa vez foi mais perto e bem menos glamuroso. Mas o olhar do cronista segue capturando a vida ao redor. Ainda que fosse à Canoas. O que importa é o deslocamento.

Viagem internacional! Nove horas de carro e já é outro país. Problemas na injeção eletrônica e parada na concessionária em Pelotas incluídos na conta. Pra chegar no Uruguai tem que passar pelo Chuí, o que significa um estoque de bebida importada sem imposto. Pra chegar no Uruguai também teve a maior tempestade dos últimos tempos. Cena de cinema-catástrofe. Carros paradosna pista em meio a vento, chuva & neblina intransponíveis. Um horror. No som os Doces Bárbaros cantando peixe no aquário nada como se nada acontecesse.

Problemas na injeção eletrônica, parada na concessionária em Pelotas, a maior tempestade dos últimos tempos e como se não bastasse a praia completamente lotada sem um mísero casebre pra alquilar. Quem mandou não reservar. Dentro do carro o estresse é tão espesso que dá pra cortar com canivete. O suíço que eu levo na mochila. No olho do furacão e a gasolina na reserva. Nervos à flor da pele: melhor maneira de se começar um feriado. Essa é a hora em que se rompem namoros, amizades, casamentos. Um desvio pra Castillos, cidade-cenário de filme bang-bang, e a dica do frentista salva, senão a pátria, os namoros, as amizades e os casamentos. Além do feriado, é claro.

Dias ensolarados e noites estreladas sucederam à maior tempestade dos últimos tempos. Sempre com aquele ventinho frio que vem lá da Patagônia, perfeito pra usar um casaquinho descolado ou dormir de conchinha. Feriadão buena onda em Águas Doces. Estoque de bebida importada sem imposto detonado em dois dias. E aí sobra mais tempo pra curar a ressaca. Corpo besuntado de protetor, estirado na areia embaixo do guarda-sol (todo cuidado é pouco). Longos banhos de mar, limpeza espiritual à base de sal marinho. Gastronomia sem gastar muito de pancho com panceta e pizza de morrón e muzzarela.

No caminho de volta, em preparação psicológica pra abraçar a pesada bigorna da realidade, tem que passar pelo Chuí - o que significa um novo estoque de bebida importada sem imposto e o resto da vida pra curar a ressaca.

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3 Comments:

Blogger clandestini said...

Olá. Minha primeira vez aqui... escutei sua crônica falada hoje no Talk Radio e adorei, já estava procurando seu livro pra ler, sou admiradora do seu trabalho na rádio unisinos e no radar, que aliás não perco... escreves muito bem. parabéns!

ah, essa conta do blogspot eu não uso, meu endereço mesmo é http://trecosetrapos.org

7:34 PM  
Blogger André said...

Cara, tu escreve muito bem e tua participação lá no programa da Kátia também é legal, além de tu ser um baita gatinho hehehehe! Um abraço e muito sucesso!

1:29 PM  
Blogger Camila said...

adooooro pizza de morrones!!!

4:55 PM  

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