13.7.07

Dia do Rock - crônica lida no Talk Radio de hoje

Mais uma empulhação que nos enfiam garganta abaixo. Ou melhor: rabo acima - estão sempre nos fodendo mesmo. Pra piorar, cretinamente encoberta com máscaras altruístas. Por causas nobres, o cu dói menos.

O motivo da efeméride é o aniversário do Live Aid, mega concerto que aconteceu simultaneamente em Londres e na Filadélfia, em 13 de julho de 1985, com o objetivo de arrecadar fundos em prol dos famintos da Etiópia. O evento foi organizado por Bob Gedolf, um cantor medíocre que ficou conhecido pela atuação no filme "Pink Floyd The Wall". O Live Aid reuniu centenas de medalhões da música pop (citando apenas uma dezena: Bowie, Dylan, Eric Clapton, U2, Madonna, Paul McCartney, The Who, Black Sabbath, Queen e até a princesa Diana). A transmissão pela TV atingiu a audiência de 1,5 bilhão de pessoas, número que o Live Earth do também medíocre Al Gore não passou nem perto.

Vinte anos depois, um bando de executivos, auxiliados pelos cérebros superdotados dos publicitários, inventa o Dia Mundial do Rock. Tão fácil quanto tirar doce de um emo. O Dia Mundial do Rock é o novo Dia das Mães. Meio disfraçado de Dia do Índio, já que tem um aspecto, digamos, social. E ainda com um saborzinho de Dia da Pizza porque, afinal de contas, é gostoso. Todas essas datas servem pra mesmíssima coisa: vender. Seja celular, cocar, pizza ou All Star. Não é mesmo uma grande coincidência que o Dia Mundial do Rock tenha sido criado justamente agora que as gravadoras estão quebradas?

Esses gênios do mal das mega-corporações querem acabar com que o rock tem de melhor. Enquadrar o que nasceu pra não ser enquadrado. Só falta agora quererem inventar Faculdade de Rock. Ai!
Como mais ou menos dizia a Baby Consuelo (que já foi roqueira mas agora é evangélica) todo dia era dia de rock. Mas agora ele só tem o dia 13 de julho. Tadinho.

Por isso vos conclamo, verdadeiros roqueiros, vós em cujas veias correm riffs ao invés de hemoglobina, vôs filhotes de Lennon e McCartney, escarros de Sid Vicious, devotos de Axl Rose, protótipos de Julian Casablancas, vós que sonhais com guitarras elétricas, vós que usais calças apertadas e pulseiras de tachas, vós que ostentais no peito buttons do The Who, vós com topetes engomados, eu vos conclamo à rebelião!

Em 13 de julho de 2007, Dia Mundial do Rock, proponho a primeira Greve Geral do Rock.

Atirai-vos de ouvidos atentos na cadência do samba, na batida do funk, nos nuances do jazz, no transe eletrônico do tecno, no barato narcótico do reggae, no papo hipnótico do rap. Em Cartola, Coltrane e Nat King Cole, Gonzagão e Gonzaguinha, Billie Holiday, Grace Jones, Donna Summer, Simian Mobile Disco, Basement Jaxx, Daft Punk, Diana Ross & The Supremes, Smoking Robinson & The Miracles, Harold Melvin & The Blue Notes, Miles, Mingus e Monk, Strauss e Sebastian Bach (não confundir com o vocalista do Skid Row), Paulinho da Viola, Tom Jobim, Astrud Gilberto, Isaac Hayes, Bob Marley, Frank Sinatra, Frank Sinatra, Frank Sinatra.

Existe um universo inteiro de música maravilhosa esperando por seus ouvidos, basta uma boa conexão e um pouco de paciência.

Todavia, roqueirinho amigo, se este 13 de julho de 2007, Dia Mundial do Rock, te inspirar prum solo genial ou praquele refrão sacado que buscavas a tanto tempo, te proporcionar um show inesquecível, diversão etílica com os melhores amigos, sexo com aquela groupiezinha predileta, eu te digo: tá valendo.

Porque, afinal, qualquer dia é O Dia.

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1 Comments:

Blogger mutantismos said...

hábitos estranhos dos cheiradores... hahaha! me diverti horrores lendo e lembrando de váááários amigos. legal!

12:02 AM  

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